23.7.09
14.4.09
Fim do 100leitores: Total dedicação ao Perspectiva Política
Isso se dá pelo fato de que este blogueiro, devido ao fato de estar começando a falar muito sobre política aqui no blog 100leitores, ter iniciado um blog político chamado Perspectiva Política que, surpreendemente, cresceu vertiginosamente e hoje toma todo o tempo livre para blogar deste que vos fala.
Por isso, o misto de pesar e satisfação. É com pesar que deixo o 100leitores, embora seu conteúdo continue disponível, já que foi aqui que aprendi a ter o hábito de escrever, o compromisso com atualizações diárias e o bom relacionamento com os leitores. Mas é com satisfação que informo a vocês que podem continuar me encontrando no Perspectiva Política, que pelo crescimento rápido, agora tem domínio próprio e tudo e se encontra no endereço http://perspectivapolitica.com.br.
Se você era fã do 100leitores mas não deseja acompanhar o Perspectiva, fica o meu abraço e o meu muito obrigado.
Se você deseja conhecer o Perspectiva, nem que seja apenas para dar uma olhada, clique no logotipo abaixo. Terei muito prazer em recebê-lo na minha nova casa.

13.3.09
Pedro Simon continua suas críticas ao PMDB
“PMDB se vende por qualquer dois mil réis, afirma Pedro Simon”
Diz Maurício Simionato, da Folha:
“O senador Pedro Simon (PMDB-RS) afirmou nesta segunda-feira (9), em Campinas (93 km de SP), que ‘a cúpula do PMDB se vende por qualquer dois mil réis’ e que o partido não tem projeto para chegar à Presidência da República, mas sim para ‘conseguir alguns carguinhos’
[...]
Ao ser questionado sobre a existência de corrupção nos partidos políticos, ele afirmou que no PMDB o caso é mais grave do que no PT e no PSDB.
‘O problema do PMDB –grave, mais do que os outros–, é que o PT é um partido que quer chegar ao governo, o PSDB é um partido que quer chegar ao governo e, no PMDB, a cúpula se vende por qualquer dois mil réis e não quer chegar no governo, quer pegar um carguinhos’, disse o senador.
[...]
Simon disse que o PMDB e o presidente Lula fizeram um acordo para eleger o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) à Presidência do Senado e que, dentre estes acordos, estava a eleição do ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) à presidência de uma comissão no Senado.”
Cada vez que peemedebistas históricos como Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos resolvem falar o que realmente se passa dentro do partido, causa-se estardalhaço. Por mais que na realidade todos já suspeitem do que eles contam, a surpresa fica por conta do rompimento do silêncio e do cinismo político que essas declarações deles proporcionam.
Mais importante do que contar ao povo que o PMDB é fisiológico e só quer “carguinhos”, o que quase todos nós já sabemos, é o fato de um político de dentro da própria legenda ter a coragem de se manifestar de forma a confirmar o que todos nós já desconfiávamos.
Simon parece acertar quando diz que o problema da corrupção dentro do PMDB é maior do que dentro do PT ou do PSDB. Esses últimos têm projeto para chegar ao poder no país, e, de uma forma ou de outra, fazer alguma coisa pela melhoria da nação. O PMDB se articula sempre de forma a ficar ao lado do poder, sugando o que puder das tetas do Estado e, ao mesmo tempo, não contraindo responsabilidade nenhuma para com os rumos da nação.
O PMDB quer os cargos, as vantagens, governar dá um pouco mais de trabalho e pode acarretar a amargura de ficar na oposição alguns anos mais tarde. Quem disse que o partido quer isso? Por que correr o risco de ter candidato próprio e perder, se pode se articular de forma a estar sempre do lado vencedor, fazendo com que a ala vencedora incorpore a perdedora?
Simon não fala nada revelador quando assume, como peemedebista, o que a maioria dos membros do partido de fato quer. Simon não traz informação surpreendente quando denuncia uma aliança entre Lula, Sarney e Collor, antigos inimigos mortais que já trocaram os piores insulto.
Infelizmente, todo esse cenário já é conhecido por nós e as tais “alianças espúrias” conhecidas. Simon fala a verdade, nada mais. Não é furo de reportagem, é a realidade nua e crua. Esse é o seu maior mérito.
12.3.09
Chávez se indigna com os pobres que não votam com ele
Diz Marcos Guterman em seu blog:
“O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, mandou os especialistas em matemática e estatística do Partido Socialista Unido da Venezuela estudarem a fundo os resultados do referendo de 15 de fevereiro. Apesar de sua vitória na votação, que lhe deu o direito de buscar a reeleição eterna, Chávez ficou intrigado com a quantidade de eleitores pobres que ainda insistem em votar na oposição.
Segundo o jornal El Universal, Chávez disse a seus assessores que é preciso descobrir as causas disso e convencer esses eleitores ‘com a verdade’ de que a ‘revolução’ é deles também.”
Chega a ser engraçada, em um sentido ruim, a dúvida de Hugo Chávez. Seria algo como “Como pode ser que eu domine tudo, e eles ainda não votem como eu quero?”. É o tipo de graça que na verdade é triste, advinda da perplexidade.
Embora seja curioso ver Chávez sem explicações para um fato que para ele é inaceitável, sendo esse o não-controle de algum venezuelano pobre por ele, acho que o blog Perspectiva Política pode explicar para o líder venezuelano qual é a causa. Ela parece se dividir em duas partes:
Por um lado, existem pobres venezuelanos votando na oposição pois, por serem deixados sem educação e, consequentemente, sem conhecimento, pelo regime, não formam opinião crítica e, assim, se são suscetíveis à propaganda chavista, também o são em relação à propaganda oposicionista.
Por outro lado, existem pobres venezuelanos votando na oposição pelo simples fato de que, pobreza e falta de estudo não significam, necessariamente, burrice, ou seja, existem outros venezuelanos pobres que, por mais que não tenham chance de adquirir conhecimento, conseguem, sim, com a vida, criar opinião crítica. Ao verem que suas vidas não melhoram e que os discursos de Chávez não passam de retórica “bolivariana”, decidem votar na oposição com a esperança de que, por mais que não sejam também lá grandes coisas, mudem algo para melhor.
Resumindo, existem aqueles que, por algum motivo, não são ludibriados pela propaganda de Chávez e acabam ludibriados pela da oposição. São os que não racionalizam muito o voto e deixam de apoiar o caudilho sem saber bem o porquê. E existem aqueles que conseguem, mesmo sem muita informação, conhecimento ou cultura, racionalizar o voto no sentido de não querer mais quem não faz nada por eles a longo prazo, apenas provê certos benefícios, que não existiam anteriormente, e isso tem que ser reconhecido, dentro da mesma conjuntura de sempre, a da pobreza endêmica.
Pronto Chávez. Acho que está explicado. Porém, seu instituto de pesquisas encontrará, provavelmente, outra explicação. Deve ser alguma mais bolivariana.
Via Perspectiva Política
11.3.09
Lula manteve o que devia manter, mas não mudou o que era preciso
Sérgio Malbergier fez ótima análise sobre o cenário político-econômico atual do país e sobre o papel de Lula dentro de tudo isso. Não há o que tirar nem pôr. Por isso, segue na íntegra:
“‘Mudança. Essa é a palavra-chave.’
Assim o presidente Lula iniciou seu discurso de posse no primeiro dia de 2003.
Seis anos depois, o Senado Federal é presidido por José Sarney e elege Fernando Collor de Mello para chefiar a Comissão de Infraestrutura em ano PAC.
A chave é a mesma, mas a palavra certamente não é mudança.
Não que Lula não tenha promovido mudanças. Ele mesmo é mudança num Brasil sempre dominado pelas elites.
Mas se o presidente manteve o que precisava ser mantido (a estabilidade econômica, com relativa responsabilidade fiscal, câmbio flutuante e inflação na meta), não mudou o que precisava ser mudado (o fisiologismo descarado descambando para o crime organizado da política nacional).
Até porque é fácil governar com o PMDB.
E se o petismo-lulista não inventou nenhum odor novo em Brasília, sua adesão voraz à locupletação tornou ainda mais desenvolta e hegemônica a desfaçatez do jogo político, como mostra o ritmo alucinante de escândalos, do Oiapoque ao Chuí, passando obviamente pelos centros mais avançados do país, vide o escandaloso vídeo com suposta compra de cargos na Polícia Civil paulista.
E os presidenciáveis Serra e Dilma nada falam contra a corrupção e a impunidade, apesar do clamor popular, pois, como todo político importante do Brasil, são parte desse estado de coisas.
O perigo é aparecer um outsider, agora prometendo caçar não marajás, mas corruptos.
Em plena crise econômica global, a economia brasileira resiste com dignidade maior do que a dos países avançados, prova do quanto avançamos na área desde o Plano Real (1994).
Já a política nacional segue ladeira abaixo, puxando o país consigo num descaminho moral que contamina todos os Poderes, nos atrasa e nos sufoca.
Lula é fundamental para o avanço econômico com sua manutenção da estabilidade e seu input popular que ajudou a melhorar a vida de milhões de brasileiros, fortalecendo nosso mercado interno.
Mas o adesismo de Lula é também fundamental para esse aceleramento do processo de degeneração política, que come parte do salto de qualidade econômico.
Ao comentar a vitória de Collor, com seu aval, na comissão do Senado, o presidente petista recomendou ‘fazer disso uma boa salada’.
Só com estômago de rato…”
Via Perspectiva Política
10.3.09
Dividir para governar
Há muito tempo é conhecida a máxima do “dividir para governar” dentro do pensamento político. Muitos já aplicaram essa teoria ao tomarem atitudes que visam fragmentar o grupo político inimigo para atrapalhar sua organização, fomentar divisões internas e, consequentemente, enfraquecê-lo. Ao que parece, um dos adeptos dessa máxima é o Presidente Lula.
Corre a informação de que Lula está fazendo o possível para ter não só o PMDB ao lado de Dilma, mas também, toda a base aliada. Assumido coordenador da articulação em favor de sua Ministra, o Presidente parece estar disposto a unir todos os aliados em torno de Dilma e, a partir daí, incentivar, nos bastidores, uma candidatura que divida os votos da oposição com os tucanos.
Segundo o que dizem, Lula já teria conversado, até mesmo, com Cristovam Buarque, sabidamente pré-candidato, para que ele desistisse de uma possível candidatura à presidência em favor da união do PDT com Dilma.
Ao que parece, Lula acredita que unindo a base aliada e trabalhando por baixo do pano para que se lance uma candidatura que divida a oposição e roube votos dos tucanos, conseguirá fazer Dilma liquidar a fatura ainda no primeiro turno.
Resta saber se esse plano será mesmo posto em prática, se a estratégia daria certo e, principalmente, quem poderia ser esse candidato divisor de votos, afinal, toda a oposição parece estar unida na aliança entre PSDB, DEM e PPS.
Talvez alguém de fora desses partidos que conseguisse, na sociedade, atingir o eleitorado da oposição, fosse o nome pretendido por Lula. Alguém que dividisse o Centro-Sul, região forte dos tucanos, e deixasse o Nordeste e o Norte para Dilma, gerando a diferença pretendida. Porém, sinceramente, não sei quem poderia ser este. Aécio Neves, por exemplo, se encaixaria no perfil se concorresse pelo PMDB, mas isso inviabilizaria a aliança do partido com Dilma, tirando dela o longo tempo de televisão.
Ainda é preciso esperar e apurar mais para que se possa saber os rumos desse plano. O que já se pode afirmar é que Lula, pelo visto, fez o seu dever de casa sobre o “dividir para governar”.
Via Perspectiva Política
Apresentando: Fernando Collor
Segundo informa Ricardo Noblat, disse o locutor da convenção do PTB ao apresentar o senador Fernando Collor:
“Com vocês, o presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, presidente do PTB de Alagoas, ex-presidente do Brasil e agora gerente do PAC!”
É com esse tipo de coisa cínica que a atual maioria da classe política brasileira nos obriga a conviver.
15.2.09
Aécio e o PMDB
Todas as pessoas que poderiam saber de alguma coisa mais concreta sobre o flerte de Aécio Neves com o PMDB já descartaram a possibilidade do governador mineiro trocar de partido e disputar a presidência como peemedebista. Porém, isso não quer dizer que a relação entre Aécio e PMDB não atuará de forma importante.
Em tempos onde o parceiro mais cobiçado para 2010 é o PMDB, e indubitavelmente é, quem tiver bom relacionamento com o partido e mais possibilidade de agregá-lo à coligação que lhe apoiará, ganha pontos.
Por mais que eu continue achando que José Serra tem 90% de chances de o candidato tucano, é verdade que Aécio Neves, sendo o candidato, poderia ao mesmo tempo tirar o PMDB de Dilma. É verdade também que descontentaria o DEM e o PPS.
Resumindo, toda a disputa no ninho tucano só atrapalha o partido para 2010. Com Dilma Rousseff começando a campanha desde já, a disputa pode chegar em 2010 equilibrada, e aí, pesaria a máquina que Dilma terá à sua disposição. Sendo assim, o partido precisa se unir e acredito que seja mais proveitoso, para o PSDB, se unir em torno de quem tem mais chances, ou seja, José Serra. Porém, é fato que Serra não poderia receber o apoio de Sarney com a facilidade que Aécio receberia. Até porque, Aécio é neto de Tancredo. E Serra nunca poderá ser isso.
Serra já disse para o PSDB que quem traz o DEM e o PPS é ele. Aécio está querendo dizer que o PMDB estaria com ele. Mas agora seria tempo do PSDB escolher um candidato logo e depois buscar agregar outros partidos, com atuação conjunta dos dois candidatos, seja o escolhido quem for.
Enquanto isso não acontece, Lula vai demonstrando muita habilidade. Ele já conseguiu colocar as manchetes dos jornais na cola de Dilma. E também já uniu o PT.
14.2.09
Antiquado
Quando a política brasileira se encontra inserida dentro de uma época em que o PT cogita apoiar Fernando Collor para presidir uma Comissão no Senado e Brizolla Neto trabalha para facilitar a eleição de ACM Neto para a Mesa Diretora da Câmara, me sinto, embora jovem, antiquado demais para entender tudo isso.
Via Perspectiva Política
12.2.09
Boa Mano!
Em declaração que comentou a fala de Souza, disse Mano Menezes, técnico do time:
- Eu não pedi atacante pedreiro.
Boa Mano! Gostei de ver!
Israel e o perigo do radicalismo
Em todo tempo de guerra, as ideologias que defendem as mesmas ganham mais adeptos, embora muitos deles sejam temporários. A verdade é que me parece que o momento de confronto desperta a rivalidade, a raiva e o sentimento de vingança. Sendo assim, o político que defende o ataque aos inimigos ganha fôlego.
Nos EUA, Bush se elegeu em tempos de luta contra o terrorismo. Agora, em Israel, parece que a direita chegará ao poder. Não tenho grande embasamento em termos de Oriente Médio, porém, posso afirmar com algum nível de certeza que se os tempos em Israel fossem mais calmos, Tzipi Livni, do Kadima e de centro, seria eleita. Como os tempos são de embates, o argumento da direita israelense ganha força e, por isso, essa vertente recebe mais votos.
O Kadima, em tese, venceu as eleições, afinal, obteve mais cadeiras. Se os israelenses vivessem em um presidencialismo, a Presidente seria Tzipi Livni. Porém, como o regime é o parlamentarismo, estando longe de mim querer comparar nesse momento um regime com o outro, precisa-se de coalizão.
A coalizão deve ser de direita pois, se quem venceu foi o Kadima, quem veio logo após foi o Likud, de direita. Sendo o terceiro colocado o Yisrael Beitenu, de ultra-direita, o provável primeiro-ministro é Binyamin Netanyahu, do Likud, e não, Livni, do vencedor Kadima. No fim das contas, os trabalhistas de Ehud Barak não conseguiram dar para a esquerda os mesmos votos que o Yisrael Beitenu de Avigdor Lieberman deu para a direita.
Dito isso, pode ficar parecendo para os leitores que defendo que Israel não ataque, não se defenda, enfim, que eu acredite em uma solução de não-agressão. Sobre esse tema, digo que é verdade que eu sou a favor de um acordo de paz e de uma solução com dois estados. Porém, sendo atacado Israel, tenho convicção de que o país tem todo o direito de se defender. E sobre os argumentos de que Israel se defende de forma desigual, acho que é verdade, mas não que seja tão errado assim. Verdade seja dita, quem ataca um paísmais forte, sabe que receberá represália desigual. Duvido que diriam que um hipotético Brasil atacado pelo Paraguai deveria equiparar suas forças ao que o país opositor poderia conseguir.
Resumindo, não acredito que Israel deva, por ser mais forte, se colocar numa posição de aceitar sem responder com força, qualquer ataque ao seu povo. Quem defende que os israelenses “deixem pra lá” as mortes de judeus só pode estar falando isso sem pensar o que faria se fosse o seu povo. Porém, acho que Israel, ao mesmo tempo, tem o dever de trabalhar para encontrar uma solução pacífica, além de ter sim, a obrigação de ceder territórios, afinal, em muitos deles, ele é o invasor.
Não se pode dizer que Israel não pode se defender de ataques, principalmente aqueles que não são amadores, advindos do povo palestino, e sim, de atos terroristas do Hamas. Mas não se pode aceitar um governo israelense que não quer discutir os termos da paz. Por isso, preferiria um governo do Kadima, que também tem lá seus erros, a um governo do Likud, partido que foi claramente beneficiado pelo momento bélico que o país vive.
Até mesmo Barack Obama se ressentiu da vitória de uma direita um tanto extremista em Israel. O Presidente americano já está repensando se vai mesmo usar seu cacife político para lutar por acordos na região. Isso se dá pelo fato da análise da conjuntura dar conta de que, com a direita israelense no poder, os esforços poderiam ser cansativos, desgastantes e, ainda assim, em vão.
Via Perspectiva Política
9.2.09
Ainda sobre a decisão do STF
Restaram certas coisas a serem comentadas sobre a decisão do STF que permite que o réu responda em liberdade ao processo, enquanto tiver a possibilidade de recorrer. O tema começou a ser comentado na postagem “Chuva de prisões preventivas”.
Primeiramente, faltou dizer que com o prejuízo que a celeridade dos processos sofre no país, diversos criminosos deixariam de pagar até mesmo um dia por seus crimes, pois, não poderiam ser presos enquanto pudessem recorrer e quando fosse julgado o último recurso, o crime já estaria prescrito.
Em segundo lugar, vale ressaltar que as prisões preventivas têm, de praxe, um prazo. O que poderiam fazer os juízes para manter alguém periculoso preso senão criar prisões preventivas de meses e meses ou decretar prisões preventivas sucessivas, gerando um improviso constrangedor?
Por último, devemos lembrar que, como sempre, o maior privilegiado é o criminoso do colarinho branco que tem acesso aos recursos e apelações através dos bons advogados que contrata com o dinheiro do crime e dos desvios de verba. Além deles, usufruiriam desse precente aberto pelo STF os chefes do tráfico de drogas, que têm ótimos advogados, os quais ninguém acredita que sejam pagos com dinheiro diferente do advindo da prática criminosa. Os ladrões de galinha, embora também errados, não usufruirão de brecha nenhuma, assim como não fazem hoje.
Até a impunidade no país é desigual.
Via Perspectiva Política
8.2.09
Chuva de prisões preventivas
“Réu pode recorrer em liberdade até condenação final, determina STF”
O Supremo Tribunal Federal decidiu ontem, quinta-feira, que qualquer réu tem direito de recorrer em liberdade caso não tenha sido condenado em última instância. A decisão foi aprovada por sete votos a quatro.
Na realidade, o caso julgado é o do agricultor Omar Coelho Vitor, de Passos (MG). Condenado a prisão por tentativa de homicídio, o produtor mineiro alegou, em sua defesa, o princípio constitucional da presunção de inocência. À Corte, ele sustentou que, como a sentença imposta era de segundo grau (passível de revisão) ele teria o direito de continuar em liberdade até que sua condenação fosse julgada em última instância, ou seja, pelo próprio STF.
Acredito que a decisão do STF não seja das mais oportunas, pelo fato de não estar levando em consideração a realidade da sociedade. Reconheço que o princípio constitucional da presunção da inocência deva sempre ser observado no caso concreto, para que não se cometam injustiças, porém, não se pode seguir a letra da lei e não imaginar as repercussões sociais, morais e legais de seus atos, fazendo com que um subjetivo respeito ao princípio da presunção de inocência justifique que criminosos, aqueles nem um pouco inocentes, fiquem em liberdade e continuem a colocar a sociedade em perigo apenas por terem direito de recorrer da sentença.
Não é o caso de se prender qualquer um, de sermos levados por estereótipos e encacerarmos aqueles que têm um suposto perfil de criminoso, até porque isso não existe e é um preconceito tremendo acreditar que alguém deve ser criminoso apenas por aparentar advir das classes mais pobres. Não estou de forma nenhuma defendendo uma política quase fascista de se prender qualquer um que pareça criminoso, como se esse “parecer” existisse realmente. Muito menos estou dizendo que nenhum pedido de recurso em liberdade deva ser concedido. O que acontece é que, após esse precedente aberto pelo STF, uma vez proferida uma sentença condenatória de um juiz, concursado para tal cargo e devendo ter o devido respeito em relação às suas decisões, qualquer réu poderia, em tese, continuar em liberdade, empreendendo as mesmas atividades criminosas, caso ainda tenha o direito de recorrer.
O argumento que se seguirá sempre é o de que se o criminoso tem certa periculosidade, não será concedido a ele o direito de responder em liberdade ao recurso. Porém, a decisão de ontem do STF abre perigoso precedente que poderá muito bem ser explorado por habilidosos advogados que, infelizmente, aceitam ser pagos com o dinheiro obtido com a prática criminosa. Sobre essa questão, acredito que os criminosos tenham direito à ampla defesa, porém, por que não utilizam defensores públicos, e sim, advogados consagrados, pagos com a renda do crime, que dificilmente os defenderiam de graça por força do pensamento, alegado, porém não verdadeiramente motivador do serviço, de que eles têm direito a uma defesa bem feita?
Por fim, vêm a alegação dos ministros, de que a decisão deles não exclui a possibilidade de um réu ficar preso, mediante um decreto de prisão preventiva de um juiz.
Ora, muitos juízes de primeira instância, muito mais acostumados com a rotina dos tribunais que julgam realmente os que transgridem, não concordarão nem um pouco com o precedente aberto pelo STF e se utilizarão do dispositivo da prisão preventiva para encarcerar, enquanto recorrem, criminosos por eles sabidos como perigosos se estiverem em liberdade. Não só pelo fato de poderem cometer outros crimes como pelo fato de, com o dinheiro das redes criminosas, buscarem uma fuga e posterior abrigo até mesmo no exterior.
Então, para adaptar para a realidade das ruas o que as instâncias superiores, desconectadas muitas vezes do cotidiano social assim como o Senado e a Câmara dos Deputados, criam, as instâncias inferiores terão de improvisar. Tudo isso contribui para aquele ar de confusão que paira sobre a justiça brasileira.
Aí vem mais uma polêmica. Preparem-se para uma chuva de prisões preventivas.
7.2.09
Notícias Batidas
Vocês sabem quais são as duas notícias mais repetidas sem terem nada de novidade?
Aí estão elas:
“Aécio Neves quer as prévias”
“Lula e Dilma lançam obras do PAC”
A repetição da primeira acontece porque, embora todo mundo já saiba como o governador mineiro pensa e por que motivo, cada declaração nova que mencione minimamente o tema se torna manchete.
A repetição da segunda acontece porque algumas obras são lançadas mais de uma vez. Mas embora a obra seja a mesma, ela vira manchete de novo, além de ter seu orçamento somado novamente no montante do investimento total, causando distorções.
Dilma é o plano A e não existe plano B
Disse Fernando Pimentel, ex-Prefeito de Belo Horizonte, ex-Companheiro de Dilma Rousseff em um grupo armado de esquerda nos tempos de ditadura e designado pelo Presidente Lula para auxiliar nas costuras da campanha de 2010:
“Para o presidente Lula, são favas contadas. Não há plano B. Embora ele não tenha falado abertamente com a ministra sobre sua decisão, está empolgadíssimo. Diz que Dilma é a pessoa mais competente que passou pelo seu governo e também a que tem mais noção da complexidade do país. Tenho uma ligação antiga com ela. Por isso, Lula quer que eu o ajude nas costuras da candidatura presidencial da ministra.”
Parece que a “mãe do PAC” vem mesmo aí. Quem ainda acreditava que o nome de Dilma poderia ser cortina de fumaça para que outro candidato fosse lançado com o elemento surpresa, vai se desiludindo. O uso político do Programa de Aceleração do Crescimento é claro para quem quiser ver e todo o lucro eleitoral vai sendo creditado para Lula, porém, mais tarde, depositado pelo Presidente na conta de Dilma.
Acredito até que seja natural que obras públicas gerem publicidade para os governantes que as empreendem. Também acho que, por mais que o PT esteja exagerando um pouco e isso seja um tanto condenável, inaugurações de obras públicas normalmente têm um natural uso político.
O que não concordo é que Dilma, como “mãe do PAC”, dê a luz ao mesmo filho mais de uma vez para receber os presentes eleitorais do chá de bebê novamente.
29.1.09
Os anônimos
“Brasil tem 14 empresas em lista de grandes companhias emergentes”
Aos poucos, o Brasil vai consolidando sua posição de “player” global. E é bom que isso aconteça. É interessante para a população ter uma economia mais aquecida, mais empregos e mais inovação. É interessante para os acionistas das empresas que elas lucrem mais. É interessante para o Estado Brasileiro que o país seja sede de empresas importantes no cenário mundial, gerando para o país respeitabilidade, credibilidade e, é claro, dividendos e impostos.
Porém, como dizem até mesmo nas histórias em quadrinhos, grandes poderes trazem grandes responsabilidades. Na medida que avançam as empresas brasileiras, é papel do Estado fiscalizar para que avancem também as responsabilidades sociais das mesmas. De que adianta um país ter empresas impressionantes e milhões na miséria? A grandeza do Brasil do futuro será averiguada a partir do critério de quanto do crescimento brasileiro foi revertido em melhoria da qualidade de vida da população. Nem só de empresas e conglomerados vive um país.
Também cabe ao Estado, além de fiscalizar as contrapartidas sociais das empresas, empregar corretamente os dividendos que advém do crescimento do mercado interno e das exportações. De que adianta o avanço da empresa brasileira se ele apenas servir para evidenciar mais ainda nossos gargalos? O Estado Brasileiro tem como função importantíssima alargar esses caminhos, investindo pesado em infra-estrutura, em energia e em qualificação de mão-de-obra.
Por mais que as empresas brasileiras cresçam e figurem em listas das mais importantes dos países emergentes, de nada adiantará para o cotidiano brasileiro se o Estado, encarnando o papel de fiscalizador e fomentador, não proporcionar meios para que o progresso continue e segurança jurídica para que os investimentos frutifiquem, além de verificar em que medida o avanço do Brasil corresponde a avanço real, a desenvolvimento. Não importa só PIB, importa também IDH. O Brasil dos sonhos é o Brasil que sabe repartir sua prosperidade entre seu povo. Esse é o bom capitalismo. Sem os extremos da esquerda radical ou da direita que defende o Estado mínimo, o país precisa investir em igualdade, em justiça social.
O Brasil precisa de suas empresas, e é ótimo que elas prosperem, maravilhoso mesmo. Porém o Brasil verdadeiro não é o das sociedades anônimas é o dos verdadeiros anônimos.
Via Perspectiva Política
Explicações, por favor
Tenho lido em alguns lugares pessoas sensatas dizerem que, ao mesmo tempo que são contra as reeleições ilimitadas e a favor da alternância de poder para fortalecimento da democracia representativa, têm de admitir que Hugo Chávez fez mais para a Venezuela do que todos os governantes alternados que o país já teve e que, por isso, no país e para o povo venezuelano, as reeleições ilimitadas se justificam.
Um dos exemplos de pessoas que dizem isso fica por conta do cientista político Bruno Lima Rocha, que tem espaço cativo no importante blog do jornalista Ricardo Noblat. Ele cita, falando sobre a Venezuela, a “desconfiança das maiorias para com as antigas elites políticas” e “os elementos para uma democracia de tipo plebiscitária”, além de sentenciar que “se a democracia de concorrência e alternância política não solucionar os problemas básicos do cotidiano, a maioria não se sente comprometida com este regime político. E, havendo alternativa, esta será considerada válida”. O cientista político conclui dizendo: “- Como pode alguém defender algo - a alternância no poder - quando entende que isto não lhe favorece?”
Ok. Tudo bem. Em primeiro lugar, digamos que os dados que Bruno Lima Rocha apresenta estejam corretos e que Chávez realmente tenha melhorado a vida dos venezuelanos, o que eu acho difícil de acreditar, mas aceitarei por um momento. Em segundo lugar, acatarei também o entendimento de que um povo aceita se submeter à censura, à repressão e ao autoritarismo quando sua vida melhora, até porque, já era submetido a esse tipo de coisa antes. Por último, deixarei de lado a idéia de que a Venezuela precisa, mesmo, é de uma oposição de qualidade, comprometida, honesta, ou seja, uma alternativa válida para o povo, pois trabalhamos aqui com o factível e não adianta argumentar pedindo o improvável.
Dito tudo isso, a pergunta que eu faço para quem defende tudo isso, e neste momento coloco meu bom senso e minha imparcialidade à disposição para acatar esse entendimento, é a seguinte:
O fato de Chávez ser o menos pior que já apareceu na Venezuela e por isso o povo aprovar seu regime, relevando os pontos ruins já que eles são os de sempre, e o fato de não existir no curto prazo uma alternativa válida na política venezuelana, têm o que a ver com o personalismo de Chávez? O seu regime tão popular não pode eleger um simples sucessor e manter a alternância política? Desde quando um regime que é aprovado por um povo que deseja que ele continue tem de continuar com a mesma pessoa? Porque o projeto bolivariano precisa de reeleições para continuar? Não pode continuar com alguém da equipe do governo? Em suma, se o personalismo de Chávez não é prova de que ele é antidemocrático, o que é?
A explicação para essa pergunta eu ainda estou aguardando dessas pessoas. Aliás, junto com ela, poderiam vir as explicações de porque um povo tão satisfeito foi contra a reeleição na primeira tentativa de Chávez, de porque a censura enorme que existia antes de Chávez não fechou redes de televisão adoradas pelo povo, o que Chávez fez e de porque Chávez mentiu para o povo dizendo que acataria a decisão dele sobre as reeleições, o que não faz submetendo novamente o plano à consulta popular.
28.1.09
Ponto de partida universal
Existem muitas pessoas que se dizem democratas, defensores da democracia e da liberdade. Algumas delas realmente o são, outras, ao mesmo tempo que se dizem democratas, pregam princípios totalmente avessos à democracia.
Em meu cotidiano, tenho ouvido algumas pessoas dizerem que acreditam que certas pessoas não têm mesmo futuro, que elas teriam uma suposta pré-disposição para a criminalidade, por exemplo, ou uma falta de inteligência que, em tese, as impediria de prosperar. Sendo assim, o Estado deveria concentrar esforços naqueles que são talhados para o sucesso, que darão para a nação, em troca do investimento em seu futuro, criações tecnológicas, livros maravilhosos ou descobertas científicas, e não, perder tempo e dinheiro com quem “não tem mais jeito”, “não dará para nada” ou “é burro mesmo”.
Mas que democratas são esses? Que defensores da liberdade dignos de se chamarem assim podem acreditar que pessoas tem um tipo de pré-disposição para serem alguém de bem e construírem um belo futuro familiar e financeiro? E mesmo que houvesse essa pré-disposição, como averiguaríamos a mesma? Testes de QI em recém-nascidos? Análises sobre o tal “berço” familiar? Observações de psicólogos? Experiências com o que possa nos prever o DNA? Ora, façam-me o favor de parar com tais especulações, até porque, se é que alguém possa ter alguma deficiência, isso deve ser tratado como algo a se ajuda a corrigir e não a punir.
Todo ser humano merece ter oportunidades. Todo ser humano merece que o Estado, recebedor de seus impostos, lhe forneça educação de qualidade, saúde em bons níveis, saneamento básico, enfim, condições de exercer sua liberdade individual com dignidade. A atuação do Estado, por mais que seja discutível a intensidade, em qual nível for, tem de ser universal, proporcionando igualdade, e não, criando mais desigualdade e concentrando recursos e esforços em uma parcela da população.
Se por acaso alguém vier a não aproveitar as oportunidades dadas pela sociedade. Se por acaso alguém realmente demonstrar que a educação que recebe não rende tanto quanto a educação recebida por seu colega, só resta ter paciência, o papel de todos nós é lutar para que se provenha a todos o mesmo, de forma universal. A pessoa que decidir, por ela, não aproveitar o que lhe for proporcionado, pagará, com certeza, pelo que fez. Não nos cabe escolher quem provavelmente fará isso e punir de forma adiantada. Isso é um tenebroso absurdo.
Para aqueles que se dizem democratas e defendem algo que considero comparável às piores discriminações, deixo uma frase brilhante do grande Fernando Sabino:
“Democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um”
Obama lá, Bush aqui
Assim como fez Ricardo Noblat em seu blog, reproduzo comentário inteligente e totalmente correto do colunista Elio Gaspari, publicado no jornal ‘O Globo’.
“Tem muita gente boa aplaudindo Barack Obama porque ele proibiu a prática de torturas contra presos. O suplício mais conhecido era a simulação de afogamento. Um pedaço dessa mesma plateia emocionou-se com a valentia do Capitão Nascimento no filme “Tropa de Elite” e com o poder de persuasão de seus sacos de plástico. É um novo tipo de esquizofrenia política. O sujeito é Obama nos Estados Unidos e George Bush no Brasil.”
Quem diria...
José Sarney provavelmente vencerá a eleição para a presidência do Senado. Ele já é, até mesmo, mais Presidente do Senado do que Michel Temer o é da Câmara dos Deputados.
O PTB decidiu apoiar Sarney e, como sempre se faz, pediu algo em troca. O partido quer Fernando Collor no comando da Comissão de Relações Exteriores.
Pode ser que Sarney não vença. Mais possível ainda é Sarney não dar ao PTB essa Comissão ou dar sem que seja a Collor. Mas suponhamos que Sarney realmente vença, realmente ceda o controle dessa Comissão para o PTB e realmente seja Fernando Collor o representante dos trabalhistas, fazendo com que o ex-Presidente, totalmente execrado no passado, volte a uma posição de destaque. O restará a nós, brasileiros, pensar?
Fernando Collor pagou seus anos de inelegibilidade e, depois, foi eleito para o Senado pelos alagoanos. Se assumir a Comissão, terá sido escolhido por um Presidente legítimo de um Senado formado por representantes populares eleitos pelo povo. Faltaria legitimidade para Collor? Não. Sobraria cinismo na política brasileira? Isso sim.
Infelizmente, só nos restaria dizer: Quem diria?
18.1.09
Erva daninha
Ancelmo.com: “Praia (cada vez mais) da fortuna”
Aydano André Motta, em postagem publicada no blog de Ancelmo Gois e referendada acima, comenta sobre os valores absurdos dos vencimentos dos Poderes Executivo e Legislativo do município de Angra dos Reis, famoso balneário, no estado do Rio de Janeiro.
Segundo Aydano, a Lei 2.071 do município aumentou o salário do novo prefeito para R$ 23 mil, além de garantir R$ 10.500 mensais aos secretários e presidentes de fundações (15 ao todo). Como se já não bastasse, a Câmara Municipal do município, que aprovou estes aumentos para o Executivo, concedeu para ela mesma um aumento na verba dos gabinetes dos vereadores, passando de R$ 35 mil cada para R$ 42 mil cada. Cada vereador pode contratar até 30 assessores.
Pois bem, lendo algo como isso é possível duvidar que o cinismo impera na política nacional? Aliás, é possível deixar de pensar que se no âmbito federal, com mais fiscalização e cobertura da imprensa, os abusos estão do jeito que estão, devemos ter sumidouros de verbas no âmbito das municipalidades?
Muito se fala da impunidade mas esse é apenas um dos males mais graves do cenário político nacional. A doença da falta de ética, de moralidade e de compromisso com o cidadão tem outros sintomas, já que nem tudo que é errado é feito, necessariamente, fora da lei. Um dos sintomas é justamente esse cinismo, essa sensação de auto-suficiência, que garante aumentos e vantagens para os ocupantes de cargos públicos e, pior, tudo dentro da legalidade, afinal, legislam para si mesmos.
É triste ler notícias como essa e não ir, aos poucos, perdendo as esperanças. É difícil não enxergar o túnel como sem luz em seu fim. Mas esse blogueiro que vos fala ainda acredita em uma futura classe política de qualidade, ainda crê que a conscientização possa surtir algum efeito, ainda espera que dos jovens, como eu, possam vir pessoas comprometidas com a coisa pública e com o bem servir ao cidadão.
Mas por enquanto está complicado. Que me perdoe a minoria servidora, comprometida e honesta que eu sei que, felizmente, existe, mas parece que toda a classe política vai sendo tomada pela erva daninha do favorecimento pessoal.
Os 40 do mensalão
O site do Estadão está disponibilizando um especial sobre o caso do Mensalão. Ele consiste em uma apresentação de informações sobre os envolvidos no episódio, além de imagens relativas ao caso e outras informações.
Acredito que alguns dos citados sejam culpados por coisas mais graves que outros e até mesmo que alguns possam ser inocentes, seria leviano de minha parte dizer que não. De qualquer forma, para quem tiver interesse, é só clicar aqui e conferir.
Novo PAC
Estão dizendo por aí que Dilma Rousseff está criando um novo PAC.
O Programa de Arrumação da Candidata.
Bye Bye, Bush
Blog do Josias: “Só Nixon bateu Bush em matéria de impopularidade”
A Gallup, instituto de pesquisas americano, deu a Bush um índice de apenas 34% de aprovação, contra 61% de desaprovação, colocando o Presidente americano em segundo lugar entre os mais impopulares da história dos Estados Unidos. O povo americano reconhece o que todo o mundo pensa, ou seja, que a presidência de George W. Bush foi um fracasso.
Quando Clinton deixou a presidência, por mais que tenha sido protagonista de escândalos sexuais e tenha manchado um pouco sua imagem, o país o reconheceu como um bom Presidente. Ele, que tem o primeiro lugar no ranking de popularidade confeccionado pela Gallup, entregou para Bush um país com superávit, em paz e com uma boa imagem aos olhos do mundo. George Bush, que governou a maioria dos seus anos em um bom momento econômico, deixa o país para Obama com um grande déficit e envolvido em duas guerras. Pessoas perdem suas casas, milhares de desempregados fazem filas em agências de emprego. Ressaltando que tanto o dinheiro gasto, como as guerras empreendidas, não foram bem sucedidas na missão de capturar Osama Bin Laden, muito menos livrar o mundo do terrorismo, o que na verdade sempre foi uma utopia.
Bush, hoje, é odiado por muitas pessoas no mundo, tem sua imagem estampada com a adição de um nariz de palhaço em camisetas, tem retratos seus queimados em protestos e ainda é conhecido como um pateta pelas gafes que comete. Como diriam os americanos, um “loser”.
Porém, George W. Bush, em seus oito anos de gestão, garantiu muito dinheiro para um grupo de pessoas. Aquele formado por seus familiares, sócios, parceiros de negócios e afins. Empresas petroleiras e indústrias bélicas foram altamente beneficiadas por seus anos no poder. Coincidentemente, Bush sempre teve relações com essas petroleiras e não esqueçamos das ligações do vice, Dick Cheney, com as indústrias bélicas. Todos ganharam muito dinheiro com as guerras e todos tinham negócios um tanto estranhos justamente com os árabes, principalmente os sauditas.
Em suma, o povo americano e o mundo estão felizes por dizer “bye, bye Bush”, mas aposto que ele não está se importando muito com isso. Talvez um pouco, mas sensação ruim deverá passar quando ele estiver em seu grande rancho e vier a lembrança de que seu futuro e o de gerações e mais gerações de sua família estão garantidos.
O governo de Bush foi ruim. Não para ele.
14.1.09
Café com leite
São Paulo e Minas Gerais são os dois maiores colégios eleitorais do país. Hoje, os dois estados são governados pelo PSDB e é, justamente, destas duas unidades federativas que vêm os pré-candidatos à presidência do partido.
Em São Paulo, o PSDB já governa desde Mário Covas, que assumiu seu primeiro mandato em 1995, ou seja, está no poder há 14 anos, deixando de comandar o estado apenas nos poucos meses em que Cláudio Lembo governou, porém, nesse caso, não se configurou uma troca de poder, pois a equipe de governo era toda tucana e Lembo foi apenas um tampão. Já em Minas Gerais, o PSDB governa desde que Aécio Neves conquistou o poder em 2003, ou seja, comanda o estado há 6 anos.
Ambas as gestões atuais, seja a do Governador José Serra, ou a do Governador Aécio Neves, têm grandes chances de conseguir deixar uma boa imagem e, assim, convencer o povo a eleger os sucessores indicados pelo PSDB. Em São Paulo, ele seria Aloysio Nunes Ferreira Filho, atual Secretário da Casa Civil do governo de José Serra. No caso mineiro, o sucessor seria Antonio Anastacia, atual vice-governador, que já é apontado como tendo papel atuante e como sendo responsável por diversas melhorias e ações do governo Aécio em seu estado.
Caso os sucessores sejam eleitos, o PSDB garantiria 20 anos no comando de São Paulo e 12 anos no comando de Minas Gerais. Por mais que o partido seja um dos dois mais importantes do cenário político nacional atual, isso configura um importante feito. Difícil de conseguir em um sistema democrático.
O PT, partido que atualmente polariza as disputas políticas mais importantes do país com o PSDB, mostra que ter força não é o único requisito para governar estados cruciais. Não é o partido do governo federal que, hoje, comanda São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, entre outros.
O domínio esmagador do PSDB nos estados que representam os dois maiores colégio eleitorais do país demonstra que, por mais que sejamos imparciais, devemos admitir que o PT carece de quadros. Parece que não é apenas o PSDB que apresenta boas opções ao eleitor, o PT dá a impressão de que não as tem, seja por não abrir muito espaço a membros mais novos que possam vir a ser influentes ou outro motivo. A própria eleição presidencial dá mostras disso.
A realidade parece ser a de que, observando com calma os fatos, chega-se a conclusão de que, salvo raríssimas exceções, os candidatos fortíssimos do PT se resumem a Lula, enquanto isso não ocorre com o PSDB. A partir do momento que Lula tenta o governo federal, não sobram nomes realmente competitivos para os estados.
Sim, Minas Gerais tem Fernando Pimentel e Nilmário Miranda. São Paulo tem Marta Suplicy e Mercadante. Mas eles não parecem capazes de fazer frente a nomes como Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin, por exemplo, pior ainda ficará para os petistas se os tucanos elegerem, realmente, os sucessores. Nesses casos os quadros do tucanato seriam maiores ainda, enquanto o PT teria Lula.
Enquanto Lula for o único, o messias, e o PT continuar chegando ao cúmulo de ter que cogitar, por falta de nomes melhores, um ex-Ministro queimado como Palocci, para o governo paulista, quem vai tomar o café com leite serão os tucanos. Mais uma vez.







